terça-feira, março 27, 2007

O mal não tem fim

Depois de um mês conturbado no meu prédio, a banda Sapêko finalmente se mudou. Na verdade, foi algo no meio-termo entre ser convidada educadamente a retirar do edifício e uma expulsão.

Eu jurava que eles eram daqui do Estado, mas, na verdade, são da Bahia. Imagino que, massacrados pelo axé, decidiram tentar a sorte por aqui. E como Recife é a terra da pluralidade dos ritmos, do caboclinho ao metal, passando pelo maracatu e brega, parece natural se mudar pra cá.

Basta fazer barulho que todo tipo de banda vem tentar a sorte por aqui. Foi assim com Capim Cubano, que veio da Paraíba e passou um longo tempo assolando os bares da cidade e casa de shows.

E agora o Sapêko. Saiu do meu prédio, mas ontem mesmo vi um cartaz colado num muro anunciado a apresentação: “Sapêko, direto da Bahia”. Espero que não dure muito a turnê.

terça-feira, março 20, 2007

Pequenos aborrecimentos da vida em prédios

Durante muito tempo reclamei aos céus por ter vizinhos integrantes de uma banda de pop rock. Em todo final de semana eu era obrigado a escutar ensaios em que eles tocavam grandes clássicos do cancioneiro nacional, passando de Capital Inicial a CPM 22.

Até que um dia que a banda se acabou ou os vizinhos se mudaram. Não sei o que aconteceu, não me relaciono muito com os vizinhos - assim como faço com boa parte das pessoas do trabalho, da vida, dos ônibus e de todo o resto.

Mas a paz musical foi interrompida após algumas semanas. Um grupo de pagode alugou um apartamento ao lado do meu. Pagode Sapêko o nome da banda.

Ponto positivo: eles têm o bom senso (talvez o único senso) de não ensaiar no apartamento.

Ponto negativo: eles adoram experimentar suas habilidades musicais com o cavaquinho térreo do prédio.

E quase todo dia quando chego em casa, me deparo com a triste cena dos integrantes da banda tirando som. Talvez eles até tenham um talento, mas o problema é acharem que esse talento está, justamente, na música.

quarta-feira, março 14, 2007

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Logo no início da manhã, comecei a rascunhar na mente o que iria postar hoje. No momento, achei a idéia divertida e relevante, mas não a escrevi na hora porque estava muito preocupado em ver o último episódio da minha atual série favorita.

E agora, poucas horas depois, não lembro de nada do que pretendia escrever. Tentei reconstituir na cabeça a primeira hora do meu dia: abri os olhos, rolei na cama, urinei (fora dela, claro), comi um pastel de nata e liguei o pc pra ver a série. E nada mais.

O que pensei entre o rolar na cama e ligar o computador eu não lembro. Sofrer pré-Alzheimer aos 22 anos só não é pior porque amanhã eu já nem lembro que tenho problemas com a memória.

terça-feira, março 13, 2007

Uma viagem inconveniente

Na chamada escola da vida, com toda certeza eu gostaria de gasear algumas aulas. Uma das lições desagradáveis de se aprender é: todas as pessoas solitárias tornam-se mais inconvenientes dentro de um ônibus.

Não tem coisa que me aporrinhe mais num ônibus do que desconhecidos tendando puxar conversa. Principalmente quando eu estou querendo ler aquele gibi que acabei de comprar na livraria ou terminar o último capítulo de um livro.

Mas hoje aprendi uma técnica que deve funcionar. Vi uma moça bonita sendo cascateada por um moço nem tão agradável. Quando ele começou a puxar conversa ela respondeu mexendo o ombro de forma incontrolável. Em seguida, começou a dobrar o pescoço pro lado.

Se era tique nervoso ou não, deu certo. O cara não falou mais nada e ela continuou seguindo viagem tranqüila, apenas mexendo algumas partes do corpo de forma caótica. Simples, eficiente e muito educado.

segunda-feira, março 12, 2007

Finge que eu gosto

Por muito tempo achei simular emoções era coisa de gente insensível como eu ou uma mania de pessoas idiotas. Agora tenho convicção de que todo mundo está fadado a fingir ser alguém que não é, uma ou várias vezes ao dia.

Eu, pelo menos, finjo ser outra pessoa dentro de casa. Lá eu não falo palavrão e tento parecer mais sereno e seguro. Escrevendo assim pode parecer coisa pouca, mas a diferença é notável. Dentro do lar eu sou outro.

Tenho plena consciência de que o doido sempre se acha mais são do que seus colegas de manicômio, mas me acho saudável, em relação a outras pessoas que me cercam. Afinal, meus motivos são nobres: a harmonia do lar.

Tem horas que quase toda relação entre as pessoas me parece um embuste. Sei que existe amor e afeto entre os humanos, mas não me entra na cabeça todos esses homens que são carinhosos e meigos exclusivamente com amigas bonitas ou chefes de trabalho.

Também não compreendo essas mulheres de 18 ou mais de 20 anos falando fofo e com trejeitos dóceis. Ninguém pode desenvolver essas características patéticas espontâneamente. É pura frescura adquirida, com propósitos obcuros.

Sempre reclamam de mim, fora de casa - claro -, por ser um tanto hostil ou até rude com as pessoas. Mas é algo espontâneo. Por que diabos ninguém reclama de alguém melososo em excesso e por que eles são socialmente mais aceitáveis que eu?

quinta-feira, março 08, 2007

Um dia sem quê nem para quê

Dar flores nunca serviu pra muita coisa. Todo defunto minimamente querido recebe uma boa quantidade de rosas e coroas de flores no seu enterro, mas o ato não surte nenhum efeito. Nada deles voltarem à vida depois da homenagem florida.

O mesmo pensamento vale pro Dia Internacional da Mulher. O fato delas receberem um botão de rosa vermelha todo santo dia 8 de março não muda nada. Até porque as mulheres são criaturas superiores. Parece um tanto sem propósito o ato.

Sexies (palavra estranha), mais inteligentes, com menos pêlos, dotadas de seios e bundas, elas sim dominam o mundo. Deixem as flores para outro dia. O dia seguinte, por exemplo.

Música portuguesa, ora pois!

Já que todo mundo que tem um blog vez ou outra recomenda o que gosta, lá vai uma sugestão de música



A maioria do público brasileiro tem Roberto Leal e seu “vira” como única referência de música portuguesa. Depois do trauma causado pelo sucesso do moço por estas terras na década de 90, é natural pensar que toda produção de Portugal tenha algo a ver ternos brancos, dança espalhafatosa e som cafona. Neste caso, ter preconceito é quase um instinto de defesa. Mas existe, sim, música portuguesa de qualidade.

Conheci por acaso, há uns dois anos, um grupo chamado Clã. E é uma das melhores coisas que escutei neste período. Difícil classificar o som, algo entre um bom pop e rock, só que sem guitarras. São dois baixos, dois teclados, bateria e uma voz feminina poderosa garantem um resultado muito bom.

Fica algo entre Mutantes e Pato Fu, só que com charmoso sotaque luso. Quem quiser conhecer, pode visitar o site e ouvir muitas músicas em stream ou procurar no e-mule, como o próprio tecladista da banda me recomendou, já que o grupo não tem nenhum dos seus cinco álbuns lançados por aqui.

Dá pra encontrar o Clã também em participações especiais, como na última faixa do disco Toda cura para todo mal, do Pato Fu, e no O irmão do meio, do também português Sérgio Godinho.

A quem interessa, o nome dos bois: Hélder Gonçalves (baixo piccolo e voz), Miguel Ferreira (teclados e voz), Pedro Biscaia (teclados), Pedro Rito (baixo), Fernando Gonçalves (bateria) e Manuela Azevedo (voz).

Devagar divagação sobre divagar

Sinto um certo incômodo em viver, não por qual motivo. Não, isso não é nenhuma carta suicida nem uma reflexão depressiva. Sinto desconforto por não saber a razão das coisas. E tem dia que isso dá uma agonia, principalmente quando se está dentro de um ônibus no engarrafamento. Impossível não pensar.

E depois de pensar e pensar sobre as questões fundamentais do universo no trajeto de volta pra casa (e não conseguir a resposta de nenhuma), fico um tanto mais perturbado. Me bate uma sensação parecida com hemorróidas. E tal qual varizes no ânus, não consigo ficar sentado por muito tempo. Uma ansiedade constante, vontade de fazer tudo.

Fico lendo uns dez livros no mesmo período, vários pedacinhos de cada um em dias alternado. Arrumo a coleção de gibis, vejo seriados, como chocolate, jogo no computador ou fico andando pra cá e pra lá pela casa.

A necessidade de me manter ocupado tem atingido níveis absurdos de absurdo:

Tarde livre? Vejo o filme novo da Turma da Mônica ou Turistas no cinema.

Nada pra fazer de manhã? Vou a praia ler gibi na areia.

Chego mais cedo do trabalho? Passo no shopping pra comer pão de queijo e tomar cafezinho ou vou correr destrambelhado no calçadão.

Acabo não me concentrando em nada. Ando disperso feito palavras numa música do Djavan. Por que tudo isso?

sábado, março 03, 2007

Eclipse

Não sei por que, mas tenho a impressão que todo ano acontece um ou dois eclipses desses que dizem que só vão acontecer novamente daqui a 100 ou 1003 anos.

Sempre a mesma balela na televisão: “o eclipse só será visto novamente daqui a oito décadas e muita gente se aglomera nos observatórios para conferir o fenômeno e blá-blá-blá”.

De onde é que sai tanto eclipse?

Falta de assunto.

A pedidos (poucos, é verdade, mas sinceros), estou de volta. Encerra-se aqui o recesso deste blog.

A decisão de parar de escrever não foi por conta falta de tempo, mas de criatividade. Mais especificamente, falta de assunto. É difícil arrumar algo sobre o que escrever.

Sabe aqueles momentos em que você inevitavelmente fica com cara de bunda olhando pra outra pessoa sem ter o que falar? Quando o conhecido do trabalho que senta do seu lado do ônibus e você não consegue conversar, exceto, no máximo, dizer que está muito quente lá fora ou soltar algumas palavras sobre a péssima comida do refeitório da empresa? Pois é, sinto isso toda hora.

Padeço deste mal, não só com desconhecidos, mas também com os mais chegados. Acho coisa complicada por demais conversar. Não tenho o timing. Fico num estado crônico de cara de bunda.

Desconfio que a primeira frase que aprendi a falar foi um reticente “pois é”. Preciso treinar mais.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Férias

Para evitar atualizações ainda mais esporádicas, vou entrar de férias do Resto de nada a partir de hoje. Continuo escrevendo, mas no meu outro blog Vacacaga, que divido com amigos. Volto aqui no próximo dia 22 de agosto deste ano, quando provavelmente terei mais tempo (e criatividade) sobrando. A quem acompanhou o blog, obrigado. Continue lendo o Vacacaga.

domingo, fevereiro 18, 2007

Calcinhas ao léu

É bem normal tropeçar em pedra de vez em quando, mas hoje tropecei numa calcinha. E poucos metros depois, vi outra. Coisa incomum, creio. Mesmo sendo Carnaval. Até porque eu não estava numa grande suíte de motel ou num bordel. Apenas voltava do trabalho pra casa.

Parei pra pensar no razão das calcinhas estarem lá. De quem seria as peças íntimas? Olhei ao redor, vi o franelinha mendigo que está sempre embriagado e ninguém mais. Pouco provável que sejam usadas por ele ou representem alguma uma conquista amorosa recente.

Quem soltaria calcinhas numa rua deserta como aquela? Será que o desejo foi tão grande que simplesmente jogaram as calcinhas no chão num ímpeto de desejo?

Se fosse perto de onde moro, tudo bem. Meu prédio fica numa via comercial de sexo, com grande variedade de moças, rapazes, crianças e seres inclassificáveis (se procurar direitinho, acho que dá pra encontrar até animais silvestres se prostituindo). Ali, sim, consigo conceber esse tipo de coisa. Perto do jornal onde trabalho, não.

Seriam de alguém do trabalho que resolveu se aventurar depois de um plantão na redação?

Carnaval, Carnaval... um período de queda para as calcinhas e cuecas.

sábado, fevereiro 10, 2007

A favor do eterno embriagamento sóbrio.

É fantástico como nós, seres que usam samba-canção, tornam-se tão mais doces depois de algumas doses de álcool. Claro que os alcoólatras e caras vestidos de abadá atrás do trio elétrico representam o extremo oposto disso. Falo dos caras legais, não dos tipos mais cretinos.

Quantas vezes você, barbudo, não sentiu falta de um abraço mais demorado num velho amigo ou até mesmo quis dar um beijo na bochecha do amigão da faculdade e trabalho? Claro que na maioria das vezes nem passa pela sua cabeça, pelo simples fato de achar isso muito gay.

Pessoas com peitos e bundas salientes sempre parecem mais adequadas para receber as demonstrações de afeto masculino.

Mas eis que você está numa festa com seu amigão e, depois de se afogar no Jack Daniel’s, toma coragem pra aquele abraço apertado no cara com quem você passa um bom pedaço de vida junto. Aquele com quem você faz intercâmbio de quadrinhos, fala dos problemas e conta piadas. O parceiro da cerveja e do hambúrguer de rua.

E naquela dose você se dá conta do quanto gosta daquele cara. Um lampejo. Você o ama, e não é porque está bêbado. Simplesmente porque ele é um amigo, de verdade.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Muita gente considera a velhice como a pior fase da vida, por conta das rugas, cabelos brancos, manias e ossos frágeis. Mas acho a adolescência bem mais depreciativa. Principalmente a masculina.

Hoje mesmo estava no ônibus e vi dois meninos, ambos com uns 13 anos, conversando animadamente sobre mulheres (meninas da idade deles, provavelmente) e sexo (duvido que algum deles tenha experimentado algo além do onanismo*). E eu achando patético o papo deles:

“Mermão, tu ainda é virgem, é? Oxi, eu já fudi muito, vê”, diz o mais esteticamente desagradável deles, abrindo a carteira.

Eu no banco detrás, mais elevado do que eles, observo o objeto dentro da carteira: uma camisinha.

“Eita, é de banana”, fala baixinho o outro.

“Intão, é banana com sabor de banana”, responde o guri, achando seu próprio comentário bastante engraçado, provavelmente pelo humor sutil.

E os dois se acabaram de rir.

Retardados, pensei eu. Até o momento em que me lembrei da camisinha que eu levava sempre quando tinha essa idade. Era um chaveirinho de acrílico transparente, com uma camisinha dentro e a mensagem “quebre em caso de emergência”.

Acho que andei com ela até uns 15 anos, quando a camisinha começou a mostrar sinais de deterioração, ficando marrom e ressecada. Eu também me gabava do meu troféu, mesmo ele estando sem uso. Lamentável. Mas pelo menos o preservativo não era sabor banana.

*Um pouco de cultura inútil: pra quem não sabe, a palavra onanismo vem do nome Onã, um personagem bíblico que praticava coito interrompido. No sentido bíblico, em lugar de significar automasturbação masculina, praticar o onanismo é o mesmo que tirar antes de gozar.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Coçar, de todas as formas

Presente do Indicativo
eu coço
tu coças
ele coça
nós coçamos
vós coçais
eles coçam

Pretérito Perfeito
eu cocei
tu coçaste
ele coçou
nós coçamos
vós coçastes
eles coçaram

Pretérito Imperfeito do Indicativo
eu coçava
tu coçavas
ele coçava
nós coçávamos
vós coçáveis
eles coçavam

Pretérito Mais-que-Perfeito
eu coçara
tu coçaras
ele coçara
nós coçáramos
vós coçáreis
eles coçaram

Futuro do Presenteeu coçarei
tu coçarás
ele coçará
nós coçaremos
vós coçareis
eles coçarão

Futuro do Pretérito
eu coçaria
tu coçarias
ele coçaria
nós coçaríamos
vós coçaríeis
eles coçariam

Presente do Subjuntivo
eu coce
tu coces
ele coce
nós cocemos
vós coceis
eles cocem

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo
eu coçasse
tu coçasses
ele coçasse
nós coçássemos
vós coçásseis
eles coçassem

Futuro do Subjuntivo
eu coçar
tu coçares
ele coçar
nós coçarmos
vós coçardes
eles coçarem

Imperativo Afirmativo
coça tu
coce ele
cocemos nós
coçai vós
cocem eles

Infinitivo Pessoal
eu coçar
tu coçares
ele coçar
nós coçarmos
vós coçardes
eles coçarem

Gerúndio
coçando

Particípio
coçado

Ai, maldita falta do que fazer...

Vacacaga


Já que as atualizações andam espaçadas por aqui, aproveitem pra conferir também o blogue Vacacaga, da qual eu faço parte. Está apenas com um texto meu, mas até sexta-feira serão postadas novidades daqueles que dividem o Vacacaga comigo.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Uma versão do Instituto Xavier em Jaboatão dos Guararapes? Ainda descubro isso.
Fica difícil escrever sobre qualquer coisa quando não acontece nada que mereça comentário. O que acontece de interessante hoje em dia?

Anunciam o rei a rainha do carnaval, o presidente do Banco Mundial aparece com meias furadas, Gisele Bündchen mostra o novo namorado e o Cauby Peixoto lança seu novo álbum.

Talvez no plano pessoal a coisa pudesse ser mais interessante. Desde que eu tivesse uma vida pessoal. Até que me sobra algum tempo pra viver, só que dá uma preguiça... Falta disposição até pra escrever, afinal, vou escrever sobre o quê?

Como diz um grande amigo meu, “era bom uma epidemia de zumbis pra animar as coisas”. Concordo. Mas uma invasão alienígena também seria ótima pra quebrar esse gelo.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Com o dedão no meu cóccix, a monja que faz shiatsu vem dizer que meu QI está desequilibrado. Passado o susto de pensar que a palavra de duas letras terminava com "u" e começava com um "c", em lugar do "q", me dei conta que eu não devo ter sequer mais qi.

Pra quem desconhece, não é do "qi" de quociente de inteligência que falo, mas o ch'i ou ki, um termo da medicina chinesa que pode ser entendido como a energia vital do corpo. Sim, é a mesma força que os Cavaleiros do Zodíaco, personagens de Dragon Ball utilizavam para manipular e concentrar seus poderes.

Já o shiatsu, grosseiramente falando, é uma massagem terapêutica em pontos estratégicos do corpo, que têm relação com o qi. O cóccix é um dos pontos. Pelo menos pra essa monja.)

"E o que faço pra reequilibrar o qi?", pergunto.

A resposta é vaga. Ela me sugere coisas do tipo: "Não guarde emoções, se alimente bem, durma
mais", etc.

"Se eu fizer tudo isso vou virar um sayajin?", indago.

"Hã?"

Depois disso desisti de perguntar. Não suporto gente sem conhecimento de cultura pop.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

O profeta Jeremias era um mutante: “Foi Deus quem fez de Jeremias uma cidade fortificada, uma coluna de ferro, e muralhas de cobre contra toda a terra", disse o padre durante uma missa que vi no domingo.

Pelo que entendi, Jeremias adquiriu uma espécie de invencibilidade e virou um Capitão América bíblico. Ou, no mínimo, ganhou corpo fechado. E ele ainda escreveu o livro das Lamentações, algo muito mais baixo-astral que qualquer queixa que eu escreva.

Mas, de acordo com o padre, muito mais importante que a coluna de ferro e os demais aparatos era a sinceridade de Jeremias. Segue um trecho do sermão:“Todos podem ser profetas. Profeta é quem fala a verdade, quem é sincero. O profeta é aquele que não massageia o ego do próximo. É preciso dizer a verdade. Pra que elogiar o colega de trabalho quando ele não é competente, só por amizade? Por que negar que sua esposa está gorda, quando é importante pra saúde dela que esta em forma?”

Seja profeta também e diga que este blogue é chato.

Seja profeta e diga pra sua mãe que ela é sem-noção.

Fale também pro seu vizinho lutador de jiu-jitsu que ele é um otário. E fique contando com a coluna de ferro.