Sempre me irrito com pessoas de baixo-astral que parecem gostar de chafurdar nas suas supostas misérias. Gente que fica deitada na cama olhando pro teto, sem perspectiva, enquanto o mundo acontece lá fora. Me incomodam bastante.
Mas esqueço que sou um deles. Pelo menos, um depressivozinho ocasional.
Vez ou outra, atinjo um patamar de intolerância:
Fico puto porque o cara do trabalho usa calças de moletom como se fossem roupas de verdade; sinto ódio dos macacos da Amazônia fazendo amor no Globo Repórter.
Tenho a convicção que não sou bom namorado; percebo que o que escrevo não é interessante, exceto, talvez, para mim mesmo.
Mando à merda o moleque que insiste em limpar o pára-brisa do carro; dou dedada pro motorista que ocupa duas faixas.
Enfim, me sinto triste, hipócrita e rabugento. Mais ainda por escrever isto.
E nem mesmo sei cantar ou tocar algum instrumento para tentar formar uma banda emo para transmitir minhas angústias adolescentes senis. Assim, teria chance de faturar uma grana.